segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Bilhete de natal

Me sentia no escuro embriagado em becos escusos. Imaginava coisas até então inimagináveis. Arfava com dificuldade palavras tão indigestas. E acima de tudo, estava frio.

Meu sonho era ser alguém para alguém. Um pedacinho no meio do nada. Muito mais do que um reflexo numa poça de água. Mas enfim, no meu caminho de solidão, me esqueci como os sonhos são.

Foi aí que me vi encostado. Usando rimas pobres e queimando a língua pelo passado. Fugi ou até mesmo fugiram de mim. "São todos tolos". Pensei.

Mas o que seria de mim se ainda "bobos" não existissem? Um tanto de gente com boas intenções. Um abraço apertado e carinho clichê.

Acabei me lembrando do que sou feito. Daqueles que amam e se jogam ao vento. Dos sorrisos marotos e olhares sinceros. Tanto tempo que havia me distraído.

Ah! E o mais importante quase esqueci de dizer. Feliz Natal. E o que faça as pessoas mais felizes.

Espírito Natalino.

Meu começo

Oi,
Tudo bem? Posso te falar um pouquinho? Chega aqui, bem pertinho... vem devagar e sem medo. A verdade é que tenho um segredo e quero me confessar. Direi bem baixinho para que somente você possa escutar.

"Estou pensando em voltar a escrever"

Me diz, o que acha? Acha pouco? Acha muito? Acha pequeno? Ou acha grande?
Já adianto... tenho surpresas... algumas surpresas.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Mãe só tem uma

Mae,

É no berço terno que o afago de seus laços me faz sentir. É momento eterno de carinho e sei que vem de ti.

Como és belo e empolvorozo tal sentimento que junto ao peito se faz viril. Deixa aquela saudade que rasga ao ser em qualquer coisa do meu viver.

Meu espelho, minha vida. No fim, o desejo de ser feliz na verdade é ter sempre o seu amor a dádiva de te ver sorrir.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Minha estrelinha de algodão

Já posso imaginar. Seus dedos gordinhos apontam com dificuldades o céu, na pretensão de contar quantas estrelas anseiam por brilhar. Então, com um leve sorriso, daqueles que ficam no canto do rosto, começo a contar inúmeras histórias de reis, rainhas, príncipes, princesas e terras encantadas. E mesmo sem entender, você detém os pequenos olhos com bastante atenção.

Repararia em todas as nuances na tentativa de descobrir com quem se pareceria mais. O nariz, graças ao bom Deus (como diria sua mãe), seria paterno. O sorriso seria o da mãe. Alguma coisa viria dos avós. Nem tento imaginar de quem seria o "humor". De verdade mesmo esperaria que tivesse muita saúde independente da pessoa com quem se parecesse.

E antes mesmo de nascer, olha só como mudou a minha vida e a de sua mãe. Lembro do nosso ontem. Mal o ponteiro do relógio marcaram alguns segundos e já havíamos crescido. Passou de forma intimista aquela dúvida e angústia de nos tornamos responsáveis. Mil coisas vieram aos nossos pensamentos. Tomaram formas estranhas, algumas que nunca desejamos ou que esperamos. Tivemos que encarar, já não éramos mais crianças.

Então lidamos com situações novas. O corpo e a mente já não eram mais os mesmos. Até o coração não era aquele, tão infantil e ingênuo. O ousado tempo nos permitiu sentir uma liberdade no mínimo "estranha". E hoje temos a certeza que não somos mais crianças.

Sabe de uma coisa? Até que não é de todo mal. Podemos finalmente, sem vergonha nenhuma (tá certo, um pouquinho ainda fica), dizer que amamos de verdade! Sem pestanejar com medo da chacota ou curtições de nossos amigos. Tenho certeza que o que você mais ouvirá será: Eu te amo. Nunca vi tal coisa. Não tinha nem um centímetro direito e já babávamos por você.

Somos tão bobos quando se trata de você, que eu até converso com a barriga de sua mãe de um jeito que sentirá certa vergonha (alheia). Uma voz fininha como se falasse com animais de estimação, daqueles que temos como parte da família. É, eu gosto de você de verdade.

Já que não é mais segredo, na expectativa de eternizar meus sentimentos, digo ansiosamente que tenho toda alegria do mundo em meu coração só por saber que você está por vir. E que venha trazendo mais felicidades, não só para seus pais (que eu também gosto muito), mas para todos aqueles que estão ao seu redor.

Venha minha estrelinha, venha que estamos te esperando aqui do lado de fora.
Do padrinho mais babão do mundo.

terça-feira, 25 de março de 2008

B-R-O-BRÓ do meu Coração

Certo dia disseram que nenhum texto, livro ou filme começam do começo. Passaria minutos, horas e até dias para pensar e refletir sobre tal premissa. No fim (que brincadeirinha com as palavras) acho que é verdade. Por isso, a coisa mais marcante do Encontro Regional dos Estudantes de Comunicação Norte e Nordeste - ERECOM Piauí 2008 foi o que se ganhou no final.

Então imaginamos que finais, principalmente de filmes, são surpreendentemente tristes ou trazem algo que realmente nos façam ficar embasbacados, boquiabertos, questionadores. Aconteceu mais ou menos assim, um turbilhão de sentimentos prazerosos ora bobos, ora felizes acometeram as pessoas de sentimentos no mínimo interessantes. Talvez seja a tão famosa alegria, característica dos nordestinos e nortistas... daquele povo caloroso de terras escaldantes e úmidas.

Seres humanos que fizeram da alma um espaço de leveza e renovação. Um momento de dança na chuva regada com abraços deliciosos. Saias rodadas ao som de cantigas nada ortodoxas ou conservadoras. Teve de tudo, mas de tudo mesmo. Discussões sobre intimidade feminina e convenções sociais. Teve uma tal de tiquira (leia-se cagibrina, pinga, água-ardente) que deixou muita gente acordada. E para não se esquecer... teve muito bolinho de arroz com perninhas que vieram bem depois.

E vieram também as amizades. O famoso "tchu - tchu" e a passagem do trenzinho "tchu-tchuá" só fecharam os laços de carinho. Parecia que todos já se conheciam. Talvez o encontro fosse somente um dos motivos para que pudessem se encontrar, depois de longa data distantes. Então o abraço inesquecível e bem apertado da chegada deixava saudades e um pouco de conforto na despedida.

E que me desculpem os diminutivos (bastante presentes no Encontro), mas nada poderia ser tão grandioso. Posso afirmar (agora na primeira pessoa) com a legitimidade de um cancêriano sentimental, que deixo na terra quente (e abafada) do Piauí, paixões, amores, afetos, amigos e gratas sensações. Mais do que uma comunicação alternativa, acredito que foi uma alternativa a comunicação (também leia-se do coração).

"Que façam porque acreditam. Que dediquem porque querem. A verdade somos nós que fazemos. Assim como todo ponto-de-vista depende do olho de quem vê."

Muito obrigado.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Mais um final de tarde

Chega! Basta! Digo com a certeza de quem ainda aprenderá muito na vida que não pode-se suportar mais. Despeça com certa lentidão daquilo que amarra os piores ou até mesmo mesquinhos sentimentos. Afinal, eles não existiram sem propósito ou desmerecidamente. Pense nas oportunidades que vis sentimentos ofereceram para o amadurecimento.

Encene um simples "adeus" na tentativa de se ver livre. Finalmente chegou a hora de querer algo. De querer crescer e ser belo. Quão maravilhoso é perceber que os algozes de outrora descansam tranquilamente onde só havia rancor e até indiferença. Talvez seja esse o mistério que permeia as mais belas nuances e paisagens do cerrado, pois sempre renascem de ambientes tomados um dia pela fúria do fogo.

Abrace qualquer causa. Ter um objetivo, por mais distante que pareça, ajuda a trilhar qualquer caminho por mais tortuoso que pareça. Livre-se de seu relógio. A tanto somos escravos do tempo com suas devidas causas e ansiedade. Faça por merecer. Na verdade, faça porque quer.

Longe da família dos textos ou livros de auto-ajuda-da-melhor-e-mais-bonita-autoestima do universo, escrevo com a intenção de juntamente com qualquer um , seja do mundo dos sonhos ou do real, ter uma vida cada vez melhor. Não escrevo em tentar ou ser feliz. Escrevo no ato, de talvez algum dia, alguém possa me ensinar a não ser tão humano e imperfeito assim.

Despeço mais uma vez. Digo "tchau" aos sentimentos bobocas e palavras sem sentido. Ao som do piano mais ébrio... vou-me.


"Era final de tarde. Uma fita de cetim ousava em balançar ao soprar do vento. O cheiro de terra molhada invadia o ar de forma hostil. Parecia vir das lágrimas que ousavam cair ao relento, pendentes de sentimentos nada específicos. Um turbilhão de imagens e pensamentos soltos viam a mente.

Distante aquela pequena mancha já podia ser agora definida. Os traços tenros daquelas lindas curvas impregnava os olhos com cores vivas. Era ele, caminhando lentamente ao som das folhas daquela tarde. Ah, era final de tarde.

Os passos se apressavam cada vez mais aos braços estendidos. Uma extensão do outro, era assim que sentiam. Sabiam que, ao menor descuido poderiam se ferir eternamente. Eram mais uma vez espírito e carne. Eram mais uma vez irmãos.

As lágrimas não cessaram. Mudaram de cor, como se agora estivesse tudo bem... a mesma coisa outra vida. Outro sentimento."

Peço desculpas àqueles que corajosamente acompanharam meus textos até aqui. Acho que a graça é ver estampada nos olhos, o sorriso da alma depois de tanto tempo distante. Claro que não tenho a pretensão de achar belo ou até mesmo convincente os textos que aqui publico. Espero por mais uma vez enchê-los com minhas confusões sentimentais.
Obrigado.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Divagações II

"E mesmo que soubesse o segredo da felicidade, esperaria os imprescindíveis ponteiros do tempo torná-lo a mim o seu vício de querer bem, de querer ser feliz".
Renato Cirino

terça-feira, 4 de março de 2008

Divagações

Quem me dera se fossem negros os sóis do universo, assim como os olhos que um dia ousaram em fitar minha carne, nua, suja... da mesma forma descrita a vida de anjos e demônios pertencentes a histórias tristes, inacabadas e ingênuas.

Então surgem onomatopéias que insistem em transformar o sofrimento em alívio eterno. Ah! Acredito que nesses momentos de divagações hiperbólicas nos fazem sentir meio, conhecedores de nós mesmos.

Fielmente, acho que me transformei em alguma coisa.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Te amo nesse dia mais feliz

23/01

Oi,

Lembro-me que era um sábado do ano de 1983. Morria na Cidade do México, Bienvenido Granda, grande cantor e compositor latino-americano. Era também nove de julho, que em meados da década de 30 foi um dia marcante não somente para São Paulo, mas para o Brasil. Fora deflagrada a Revolução Paulista. Meras conexões e uma surpresa do destino.

Em 9 de julho de 1983 foi exatamente quando abri os olhos para o mundo pela primeira vez. As 16 horas e 10 minutos eu já estava atrasado uns cinco. Poderia sentir a interminável insistência para que eu deixasse aquele espaço tão dócil, agradável e confortável. Não queria sair, de jeito nenhum, mas os apelos eram maiores.

Naquele instante, mesmo que sem ar, estava a ganhar o mundo. Pude com meus pezinhos cansados sentir a superfície áspera dos panos que me envolviam. Sentia também falta, de algo que mesmo tão próximo, nunca fora tão distante. Minhas mãos procuravam incasavelmente um tato amigável, quente e acima de tudo amoroso.

Foi quando percebi o toque sutil e delicado de alguém. Beijava-me como buscava as estrelas e abraçava-me como se as quisesse guardar em seu bolso. E poderia, mesmo porque eu era do tamanho de um sapato infantil. Prendia, mesmo que inconsciente, meus afagos naqueles cabelos macios e cheirosos. Agora voltara para perto de onde nunca desejaria ter saído.

O estranho foi ser visto como uma dádiva. O milagre da vida que tanto insiste em fazer dos seres humanos, bobos e boquiabertos. Por mais que o momento se repetisse milhares de vezes, cada um possuía sua especificidade. Afinal de contas, milagres não são fáceis de se ganhar ou adquirir. E acho que te vejo assim, uma dádiva em minha vida.

Hoje é seu dia e que dia mais feliz, poderia dizer uma música. Mas sinceramente, não quero cantar ou desejar-te tudo de bom. Simplesmente quero senti-la em meus braços, assim como você me sentiu pela primeira vez. E nos meus olhos poderá perceber que nunca te quis mal ou perdi o amor que tenho por você.

É, feliz aniversário... e mesmo com todos esses anos passando, os afagos, os sorrisos, continuamos os mesmos. Os mesmos não, melhores. Mais experientes, é claro, mas também mais amorosos e cada vez mais unidos. Menos brigas e mais amores. Vários ditados, frases clichês e chavões poderiam expressar mais e em menos palavras o que tenho pra te dizer.

É por isso que eu uso aquele bom e velho : Eu te amo mãe.

A qualquer momento você pode chegar. Já são quase uma hora da manhã e você nem sabe que tem um presente dentro do seu guarda-roupa. É uma caixinha que tem como chave uma estrela. O segredo para abrir você vai ter que procurar... quer uma dica?

Feche os olhos e ponha a mão no coração. Pense positivo e empurre o dedão.

No fim eu que ganhei o melhor presente, você.

Feliz Aniversário mamãe, espero que goste.
Do filhote
Renato

domingo, 20 de janeiro de 2008

Mira no meu céu infantil - Meu quarto mês...

Malásia, Kuala Lumpur e Cameron - Fevereiro de 2010

Oi, e se eu estivesse aí, na sua frente, seria um "oi" tímido. Faz algum tempo que não escrevo, e ainda mais com aquelas duas cartas que mandei anteriormente você deve ter se preocupado. Estava em dúvida se escreveria esta, mas ao perceber a perfeição e a beleza da complexidade das relações humanas (difícil isso né?), não resisti ao te enviar mais uma carta.

A sensação de que minha jornada está tomando um rumo é muito grande. Mesmo sem razão aparente, até porque não teria como você saber, eu precisava me encontrar. É como se para fazer-te feliz eu precisava espantar ou pelo menos conhecer meus medos. Na verdade, acho que estou ficando amigo deles.

Ontem o clima tropical de Cameron relembrou a minha cidade natal. Fazia tempo, que por esses climas frios que tenho percorrido não trazia a memória sensações tão sinceras e reconfortantes. A distância de tudo que amo, me deixa cada vez mais longe da realização de meu desejo. Mesmo com toda essa paisagem de campos verdejantes não conseguem me levar a bons pensamentos.

Sinto, confesso, que estou preso a algo que não existe mais. Imagino em meus sonhos tudo aquilo que sempre almejei não possuir. Então me esforço a lembrar de coisas queridas. De algo que me prenda a caminhos simples. Como naquele dia, em que pela primeira vez pude ser criança. O tempo em que tudo era novo. Tudo era mágico.

As luzes insistiam em competir com o brilho de um céu estrelado. O barulho do metal contra as pregas de borracha parecia música feita especialmente para aquele momento. Um menino magro, com bermudas largas e suspensórios. Estava eu e mais dois amigos, que mesmo numa forte insistência não conseguiria lembrar de nomes.

O mundo rodava constantemente. Nunca havia visto brinquedos tão novos e desejados. O suave gosto do algodão-doce se espalhava por todo meu paladar. O sorriso das pessoas transpassavam corpos e mentes causando-nos sensações levemente adocicadas. Os olhos curiosos perdiam-se na maravilha e atração daquele ambiente mágico.

Senti-me livre ao alcançar altitude nunca antes imaginada. Pude, por um segundo tocar numa estrela, e ver que a partir daquele instante, teria uma vida cheia de aventuras e perdições. Na verdade, com as mãos em meu coração desejei alcançar tudo que sonhei. E sonhei por muitos e muitos anos.

Vejo agora, que meus sonhos se realizaram. Não passa um dia sequer que não imagino que estas palavras cheguem a seu coração. Se pudesse te passar algo, uma lição... eu falaria:

Ponha a mão em seu coração e dessa forma imagine qualquer lugar. Mas tem que ser um lugar tranqüilo, com o céu limpo e azul. Um lugar onde possamos sentar e rir sozinhos. Um lugar que me permita falar ao seu ouvido bem baixinho... Esteja onde estiver, sempre estarei com você, na alma, na vida e no coração.

Ps.: Estou levando chá e algumas fotos de Kuala Lumpur.
Ps2.: Aqui tudo é muito engraçado (Kuala Lumpur) o que é mais novo no mundo se mistura ao tradicional de gerações seculares. Tenho certeza que ainda voltarei aqui com você.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Universo de papel - Cartas de um caçador de estrelas

Pedaço amassado de guardanapo- escritos indecifráveis, letras rabiscadas.

Você deve ter seguido a orientação para não jogar o papel fora. Fico feliz, de verdade. E se jogou fora, espero que esse pequeno pedaço de história faça a diferença na vida de quem o achar. Ah, ia me esquecendo, prazer sou um
Souriant

"As estrelas não são tão simples de entender ou até mesmo de se ver. Elas são mágicas e podem nesse exato momento estar entre nós, aqui da Terra mesmo. Já reparou nas pessoas que conseguem sorrir para você, mesmo sem te conhecer? Pois então, essa é uma característica delas (mas estão disfarçadas é claro).


Mesmo com anos de experiência correndo (quase literalmente) atrás desses seres brilhantes, não saberia distinguir com precisão uma pessoa normal de uma estrela. Então parei para pensar e resolvi que todos que me deixam feliz podem ser uma em potencial.

Uma vez vi uma criança sentada no meio-fio. O olhar perdido para o nada se confundia com o tom cinza da pele suja. Suas nuances chamaram-me a atenção meio as cores vivas dos vegetais jogados ao chão. Semi-vestida (não sei se posso chamar aquilo de roupa) parecia deliciar-se com o abstrato da vida, meio que sem jeito, meio que inocente.

Sentei do lado e sem perguntar-lhe nada ouvir dizer:
- Você sabia que jacaré não tem pescoço? - disse a menina.

Respondi negativamente com a cabeça e prontamente comecei a rir. Então algo aconteceu. Ela tranquilamente colocou a cabeça em meu colo, sem pedir licença e nem nada, e disse o que pra mim ficou marcado para sempre. Disse que havia feito o que fora lhe destinado.

- Menina o que te mandaram fazer? - perguntei afoito.
- Precisava fazer alguém sorrir... um sorriso de alma, um sorriso de coração.

Com os olhinhos fechados ela pôs-se a dormir para todo o sempre. Pequeninos fios começaram a cair do céu. Era a chuva, que na morte do dia insistia em cair triste e mórbida. Não sei porque, mas a partir daquele momento pintou em mim uma vontade de querer fazer bem."

É mais ou menos assim que começa a vida de um Souriant. Um destino cheio de acasos, de sentimentos abstratos e hiperbólicos. No mesmo tempo tudo, na mesma hora nada. O objetivo é poder criar a oportunidade de realizar desejos. Assim começa a vida de um caçador de estrelas. E eu juro, sempre procurei você (esperando que você não tenha jogado o papel fora).

Minhas chuvas e lembranças - Cartas de um caçador de estrelas

Em algum lugar chuvoso, sem noção de data, tempo e sentimentos.

Não sei o que escrever. Resolvi assumir, dessa vez não sei o que escrever. Não, antes de tudo quero dizer, não existe um culpado por isso. Simplesmente não (e que tanto de nãos hein?!) consigo expressar o que sinto agora... é que nesse pedaço de papel amarelo ficaria difícil de explicar tudo que tenho passado.

O motivo desta carta não ser datada ou até mesmo não ter um lugar de onde a envio é claro. Ontem morreu uma estrela. Era linda e tinha sardas no nariz. Em nenhum momento, durante a minha pequena existência, tinha visto uma chuva tão triste. O céu parecia chorar com a falta daquela que um dia fez tanta diferença entre as outras que ousam brilhar na escuridão.

Então eu, como um velho Souriant, ousei fazer aquilo que até mesmo as estrelas têm medo. Chorei, compulsivamente chorei. Simplesmente tentando libertar-me de sentimentos que almejavam uma vibração ruim. Aquilo que nos domina e nos arranha por dentro e fora. Senti como se tudo fosse parar. Senti como se fosse morrer.

As flores não cantavam cheiro. O arco-íris não mostrava cores. E eu, juro que vaguei por muito tempo confuso e solitário. Peço desculpas, e não gostaria de fazê-lo. Na verdade não queria ter que me desculpar, mas me sinto tão sozinho, preciso de você para conversar. Tenho uma história bem pequena... acho que devo algumas explicações.

Para isso peço que abra sua mente, aqueça o coração e atice a imaginação. Nas linhas pequeninas desse guardanapo relato minha história, um mísero trecho de uma vida que segue em caminhos errantes e fadados ao aprendizado. É como se eu descobrisse que no decorrer das coisas eu sempre quisera conhecer você.

PS.: Não jogue fora o que está no fundo do envelope. Nem tudo que parece feio é descartável aos olhos.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Num pedaço de neve eu risco um sol amarelo - Meu terceiro mês...

Rússia, São Petersburgo - Janeiro de 2010

Brrrrr!!! Quanto frio! Minhas mãos estão congelando enquanto escrevo. Nesse momento, para te contextualizar, estou sentado em frente ao palácio de Inverno ao lado do rio Neva. O palácio é lindo, e foi construído para abrigar as famílias czaristas (depois explico o que é, tá?) durante o inverno. Ele tem mais de mil janelas! Haja espaço para tudo isso.

O frio russo apesar de rigoroso é lindo. Os laços invisíveis de carinho me confortam a todo instante, exatamente quando penso que estou me sentindo só. Esses dias, senti que você pegou em minha mão. Foi verdade ou truques de minha imaginação?! Era tão quente, calor humano entende? Ah, claro que sim. Alguém assim tão querido não haveria como não saber.

Esses dias me peguei pensando se são piegas as cartas que te escrevo. E de forma alguma quero cobrar-te respostas, mas é que eu fiquei realmente curioso. Imagino você com o colar de estrelas no pescoço, abrindo os envelopes com aquelas mãozinhas curiosas. Os olhos brilhantes, flamejando vontade e desejo de saber mais.

Confesso que você está ajudando a me encontrar. Sinto-me num parque de diversões, onde tudo é alegre, mágico e misterioso. Faço planos com meus sentimentos e busco meus caminhos. O fato de você existir me anima. A idéia de amar você me fortalece. Quero lembrar de tudo para sempre, para todo o sempre. Eu, você e as estrelas.

PS.: Você sabia que os peixinhos possuem apenas seis segundos de memória?
PS2.: Eu já ia me esquecendo... como você está?

sábado, 5 de janeiro de 2008

Batem os sinos pequeninos - Meu segundo mês...

França, Tolouse - Dezembro de 2009

Minha paixão, como está? Parece uma pergunta da qual já posso saber a resposta. Claro que está super bem, com o tanto de pensamentos positivos que emano, não teria como ser de outra maneira. Já faz algum tempo que não escrevo, mas é porque realmente as viagens têm me cansado um pouco, por isso peço desculpas pelo suspense e pela demora.

Nesse momento estou sentado num banco, perto do rio Garonne. Alguns casais transformam a linda paisagem num momento íntimo e amoroso, e então não consigo parar de pensar em coisas boas. O sol e o clima da região são bem interessantes, diria perfeitos para uma tarde cheia de algodão-doce e algumas guloseimas que só nos deixariam mais felizes... Esse tal de açucar!

Faltam alguns dias para o Natal, quatro para ser exato, e imagino você aqui comigo. Esse céu tão simples e azul, atiça a minha imaginação junto com os desejos mais puros e brincalhões. A grama nunca foi tão verde como agora e as minhocas, nunca foram tão felizes. Esfrego meus pés na terra, e a sensação, ah... é uma sensação rosa, como a cor da maioria das casas da região.

Quero que me desculpe. Não sei como fui me apegar assim tão rápido. Confesso que não houve só um dia em que não guiasse as estrelas para escrever seu nome. Convenhamos, coisas tão boas não aparecem assim, do nada, ou caem do céu como você veio para mim. Pareço meloso? Mas não sou não... é só carinho, imagina.

As singelas luzes do parque são acessas aos poucos. Uma corrente de ar passa por mim agora carregando pensamentos solitários do velho mar. Faço de tudo para não me sentir sozinho, mesmo porque, dentro de mim só cabe você. Quase ia me esquecendo, ao ler esta carta, coloque a mão em seu coração e sinta aos pouquinhos o meu amor batendo em você.

PS.: Não resisti e comi o chocolate. Não teve jeito, ele olhou para mim com aquela feição carente... O que mais poderia ser feito?! Não teve outro jeito.
PS2.: Dentro do envelope como deve ter percebido, há uma estrela. Foi um velho Souriant (é como são chamados os caçadores de estrelas) que me deu... ele diz que podemos guardar os nossos melhores sentimentos e oferecer a uma pessoa querida. Ele ainda disse que as estrelas têm o poder de tornar realidade qualquer desejo puro... basta acreditar.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Chegou a Primavera - Meu primeiro mês...

Irlanda, Donegal - Novembro de 2009

Antes de qualquer coisa gostaria de dizer que te amo. Pode parecer estranho, ainda não te conheço, mas já te amo. Sempre imaginei como seria... você pegaria essa carta, coisa que quase ninguém mais faz é escrever cartas, e a leria com olhos pequeninos e sabidos. Imagino o sorriso e a astúcia ao devorar cada palavra que envio a ti.

Chegou a primavera e com ela as flores e nuances que nos permitem brincar com o imaginário. Com ela também chegou você e todos as indagações, dúvidas, choros, sorrisos, certezas e incertezas que poderiam me cercar... claro que te vejo como uma das melhores coisas que poderia ter acontecido comigo. Fecho os olhos e me vejo, bem.

Em meus sonhos nada poderia ser diferente, e por isso as coisas simples me conquistam. Digo que cansei de ser triste, amassar as flores e até mesmo jogar as palavras ao vento. Pego-me pensando, como alguém poderia mudar tanto a vida de outra pessoa? É por isso, que hoje, tenho a certeza que cansei de ser triste. Devo isso a você, devo a mim.

Então, quero fazer de minha primeira mensagem uma das mais bonitas. Daquelas em que você se orgulharia e lembraria do momento para todo o sempre. As paisagens de Donegal me fazem lembrar a perfeição onde a natureza age. E por isso tenho certeza das lindas curvas e traços que a você foram dados pelo universo, coisas que nunca saem de meus pensamentos.

No apito do trem meus pensamentos se perdem. Queria me desculpar pela letra tremida, é que realmente não sou um bom equilibrista, ainda mais sem apoio para escrever. Não tenho pressa que vá me entender, mas gostaria que tivesse a certeza, que mesmo com a distância, eu tenho milhões-de-infinitos-de-tempos-de-dolares-mega-ultra amor por você. Amo infinitamente.

PS.: Comprei um chocolate Irlandês e espero muito que goste.
PS2.: A terra molhada me deixa com saudades, não deixo de imaginar seu cheiro... um arco-íris se desponta ao norte, e com todas aquelas cores não deixo de imaginar seu sorriso.