sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Dois copos de Tequila e muita vontade de voar.

(escrito em 23/11/06)

Tudo parecia nublado. Seus olhos entre-abertos admiravam a verticalidade do chão, já que encostara seu ouvido esquerdo naquela superfície áspera e fria. Bem distante sentia seu coração. Cheio, vazio, cheio, vazio, cheio e vazio. Assim como aquele copo de Tequila que ele sempre desejou estar cheio. Muita vida, amor, paixões, prazeres, frustrações e arrependimentos. Sentia que em cada gota virada poderia mudar o mundo, ou que o mundo o mudasse.

Mudar as coisas somente se fosse o senhor do tempo. Por mais clichê que pareça é o que ele pensava. Tempo ao tempo, tempo a si mesmo. Até aquele momento não havia lhe dado uma chance para respirar, se renovar. E pensar que tudo começou assim, com um ar ofegante, quente.

As palavras eram sussurradas em seu ouvido. Ela parecia não falar, não falava. O momento escancarava caras e caretas, jeitos e toques. Nessa hora a palavra embriagues ganhava mais um sentido para ele. Embriagado pelos sonhos e pelo amor estava ele atônito diante daquela que julgava ser a mulher da sua vida.

Aquele mundo impreterivelmente relativo de Einstein estava agora mais abstrato. Pela primeira vez dois corpos ocuparam o mesmo lugar no espaço. O tempo, antes responsável por tudo já não existia. Ele virou ela e ela numa conexão de junções se fundiu a ele. Muito além das ciências exatas e gramática os dois se completavam.

A felicidade eterna parecia rondar suas vidas. Eterno entrou num conceito neológico, onde a magia e o sentido da palavra era criada por eles. Eles também deixou de existir, na verdade eram agora um só. Nos abraços, beijos e carícias, nos olhares tristes e risonhos, tudo isso, num só ser, numa só vida. Ele a despia com seus olhos percorrendo as curvas do corpo dela como se conhecessem a séculos. Seus dedos corriam por cada brecha e dobra daquela mulher, como se percorressem em seu próprio corpo, o prazer era o mesmo.

O amor que sentia por ela era tão forte, que numa manhã tranquila, onde o vento trazia o primeiro perfume da primavera, ele resolveu lhe dar a coisa que mais gostava. Não fazia mais sentido ter só para si aquele que carregava os sentimentos mais puros, sinceros e belos. Seu coração, deu a ela sua fonte de vida. Ela era sua vida, vida, vida, amor, amor, amor. Amor e vida, agora de verdade uma coisa só.

Nos encontros e desencontros, besteiras e importâncias os dois se afastaram. Poderia escrever parágrafos e várias páginas justificando o que é inexplicável e mesmo assim ninguém entenderia. Como um amor assim pôde ser distorcido? Ele não sabe... ela? Ele não sabe. Voltaram o tempo e o espaço, muito mais exatos. Tudo parece ser gramaticalmente chato. A forma dura e direta das frases já não são bonitas, não são imperfeitas.

Imperfeito é sem seu coração. O sangue circula por uma caixa vazia, fria. Voar ele não consegue mais. "Onde está ela?" - pensava. Talvez foram as palavras erradas que como num jogo de "cruzadinha" um erro induz a outro. Será que é um jogo? As dúvidas cortam suas veias e seu corpo como navalhas. E o pensamento perdura, "onde está meu coração?".

O sofrimento existe, apesar da paixão e do grande amor ele existe. Assim como a dor de não terminar o que escrevo, assim como a história não acabou. A única coisa que quer é voar, para bem longe... mas sem seu coração ele não vive, ele quer esperar... mas até quando ele dura?! Só pensa numa coisa, "amor, meu querido amor, voltemos a ser um só, com você quero viver eternamente, assim como no fim das histórias e canções de amor".

----------------
Ouvindo: Stereophonics - Mr. Writer
via FoxyTunes

3 comentários:

Gabi ela disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabi ela disse...

Aí, aí, já tava com saudade das suas histórias! Espero que você esteja bem por aí e que não esteja se sentindo só, porque eu não gostaria que você estivesse assim, do jeito que a sua história conta. Te amo tanto que penso que seria impossível exprimir esse sentimento e sei que você sabe disso, E também sabe que estou realmente morrendo de vontade de estar aí do seu lado. Mas penso eu que em breve estarei, e isso me dá uma certa esperança e alegria inexplicavel!

talita disse...

é, eu sei bem o que é TUDO isso,

...passa!? não!?
*=