Saudade da saudade bateu-me forte esses dias. Misto de olhos marejados e dor pontuda fazem repente com a vontade de querer longe só para sentir falta. Principalmente na pausa entre os suspiros, quando fraquejo e me entrego aos pensamentos. Então tudo dói. Por isso desejo que se vá, coisa minha, só para possuir a necessidade de te querer.
Pergunto-me se é infortúnio tal intimidade não me deixar sozinho. Será que sofro em contradição? Pois todo bem quisto que se vai é ruim de se perder ou de não se ter. Mesmo cheio de questões, nada sobre isso me incomoda. Patologias: egoísmo ou possessão, sei que ainda não sofro. ANEMIA, será esse meu problema?
Se tal fraqueza for amor e liberdade, com pitada de saudade, pode apostar que é disso que eu sofro. A distância é mera tentativa de ter a expectativa de primeira vez. Do beijo vivido e do pescoço cheiroso. De verdade, tudo é mais gostoso quando é o outro quem decide voltar é por isso que desejo que se vá.
Segunda-feira, 27 de Abril de 2009
Meu não querer
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Renatim Pirei
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Sábado, 18 de Abril de 2009
VivoFobia
Suspirou. O vento que soprava do norte carregava lembranças e sentimentos. O cheiro que anunciava uma chuva remetia a pensamentos muito antigos e fortemente ligados à infância. Suspirou de novo e sentiu o peso da idade que ousava agora avançar feroz rumo ao conhecido destino de qualquer ser vivente, a desconhecida morte.
Estava ela em frente a sua casa. A imagem que vinha à mente era de um ser esquálido com uma grande foice na mão. Um manto negro encobria seu rosto exagerando ainda mais suas características fúnebres. Respirou aliviado por se tratar de um mero pensamento, mas mesmo assim não atendia mais a porta. Questão de segurança.
Deixou de fazer tantas coisas. Tudo na prioridade de manter-se vivo. "Sair de casa?" - questionou. "Peste bubônica, câncer, pneumonia", fazia rima, era música e acima de tudo verdade. Notícias de televisão, jornal e rádio. Seus termômetros sociais indicavam: tenha medo. Até o algodão-doce vendido na praça fora vitimado por sua insegurança. Vai saber o que colocam naquela coisa rosada.
Preocupações dominavam seu corpo. O desespero fez do controle remoto seu melhor amigo. Recorreu ao vício do cigarro como tentativa de fuga. Não se levantou da velha poltrona de couro. Não sorriu mais. Não falou mais. O não passou a ser obrigatório em sua existência. A respiração acontecia por se tratar de um fenômeno fisiológico involuntário, se controlasse com certeza não respiraria também.
Não sabe o porquê, mas como num clarão veio à mente sentimentos nostálgicos agredindo cada milímetro de seu corpo. Levantou e caminhou em direção à janela movido pela sensação saudosista, de coisa boa vivida. A prostração cedeu ao novo e a energia inusitada. Ao abrir a janela percebeu um leve arco-íris convidando-o a mergulhar em suas memórias.
Lembrou de quando era uma criança. Os dedos pequeninos sujos de terra roçavam a barriga d'água sem preocupações. O mundo parecia maior do que ele realmente era. Árvores tornavam-se casas. Montes de areias ganhavam a dimensão de desertos a serem conquistados. A imagem da mãe marcava: hora do banho! Fugia com um sorriso que cortava as orelhas.
Viu que há muito tempo fugia também dos problemas. A ingenuidade e o sonho infantil libertara-o da escravidão paranóica que o enclausurara. Aquele olhar fez da mesmice algo diferente. Sentiu que não pertencia àquele espaço de reclusão. Com um simples otimismo transformou o seu pesadelo na melhor e a mais reconfortante das paisagens. Surpreso sentia a necessidade de querer mais.
Não era mais criança, mas percebeu que o sentimento resistiu aos sinais do tempo. Apenas se distraiu cedendo espaço aos devaneios e paranóias da vida moderna. Coisas que nunca foram realmente necessárias. Pecou pelo excesso de preocupações e com isso morreu aos poucos. Descobriu-se árduo algoz de seu céu e inferno. Suspirou novamente. Morreu.
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Renatim Pirei
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Sábado, 17 de Janeiro de 2009
Mais de mim
Canto aos céus minhas mil maravilhas coloridas. Visto então o fardo de belas e encantadoras alegorias. Tudo isso porque me cativas. E assim no belo e singelo me faz ser tão eu. É agora que vem o depois. Depois seu e tão somente seu. Então nada disso é sobre propriedade e sim carinho.
Por isso não me importa se ela samba. Se bate no meu peito assim como no pandeiro. É a tal sensação do swing no sangue, do rubro na pele e do suor no rosto. Seus movimentos tão quistos e tão sádicos fazem de mim uma vítima. E é por isso que sou tão seu, sempre tão seu.
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Renatim Pirei
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Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
Noite mal dormida
Fujo do dia em que a verdade trairá mostrando não só a mim, mas a todos aqui presentes que não existe tão grande aflição do que minha covardia. Já disseram alguns que escondo atrás de linhas mal alinhadas e palavras pouco abastadas. Nada além do que uma bunda pessoa que insiste em amassar ínumeras películas componentes de almofadas próprias para assentos. É com isso que perco meu tempo.
Ahh! Mais belo do que ver a máscara de um falso poeta profeta cair em desagrado ao se fazerem confusas orações e diálogos mal-criados, seria vê-lo confessar que bulhufas entende do mundo e das coisas boas. É por isso que publicamente assumo: CANSEI, nada sei da vida gloriosa cheia de fulgor e benevolência. Nada entendo dos sentimentos humanos que insistem em serem contraditórios. Ainda mais quando se fala do tão paradoxal amor.
Em rima ou prosa. Cantado ou falado. Esse tal de amor não me deixa em paz. Queria saber como é, quando vem, qual gosto e quem é que tem. Se encontro de forma mal encarada (porque não fantasmagórica) em minhas medrosas palavras ou se realmente existe. Com tantas negações cai-me a dúvida se devo agradecer por inspirar-me a esonder em símbolos gráficos carinhosamente ordenados ou se devo resmungar aos céus por nunca tê-lo visto.
Fica em minha mente a imagem do ser querido e de sentimento não vivido. Dos traços definidos e dos lábios macios. Aquele toque suave que inebria até mesmo os pensamentos mais firmes e matematicamente previsíveis. No mais me resta a sensação de fracasso em desejar adivinhar o que seria tal sensação. As minhas dúvidas. Grandes e folgosas dúvidas.
Termino mais uma noite cheio de divagações. Medroso e cambaliante me vem a mente é que poderia dizer: melhor do que qualquer doce mentira é saber que por mais dura a realidade seja é sempre ela que estará lá quando abrir os olhos e sentir na boca o gostinho da manhã. Talvez isso seja amor, talvez seja só minha contradição. Quem sabe?
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Renatim Pirei
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22:35
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Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008
Bilhete de natal
Me sentia no escuro embriagado em becos escusos. Imaginava coisas até então inimagináveis. Arfava com dificuldade palavras tão indigestas. E acima de tudo, estava frio.
Meu sonho era ser alguém para alguém. Um pedacinho no meio do nada. Muito mais do que um reflexo numa poça de água. Mas enfim, no meu caminho de solidão, me esqueci como os sonhos são.
Foi aí que me vi encostado. Usando rimas pobres e queimando a língua pelo passado. Fugi ou até mesmo fugiram de mim. "São todos tolos". Pensei.
Mas o que seria de mim se ainda "bobos" não existissem? Um tanto de gente com boas intenções. Um abraço apertado e carinho clichê.
Acabei me lembrando do que sou feito. Daqueles que amam e se jogam ao vento. Dos sorrisos marotos e olhares sinceros. Tanto tempo que havia me distraído.
Ah! E o mais importante quase esqueci de dizer. Feliz Natal. E o que faça as pessoas mais felizes.
Espírito Natalino.
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Renatim Pirei
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Domingo, 21 de Dezembro de 2008
Meu começo
Oi,
Tudo bem? Posso te falar um pouquinho? Chega aqui, bem pertinho... vem devagar e sem medo. A verdade é que tenho um segredo e quero me confessar. Direi bem baixinho para que somente você possa escutar.
Me diz, o que acha? Acha pouco? Acha muito? Acha pequeno? Ou acha grande?
Já adianto... tenho surpresas... algumas surpresas.
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Renatim Pirei
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19:43
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Quarta-feira, 7 de Maio de 2008
Mãe só tem uma
Mae,
É no berço terno que o afago de seus laços me faz sentir. É momento eterno de carinho e sei que vem de ti.
Como és belo e empolvorozo tal sentimento que junto ao peito se faz viril. Deixa aquela saudade que rasga ao ser em qualquer coisa do meu viver.
Meu espelho, minha vida. No fim, o desejo de ser feliz na verdade é ter sempre o seu amor a dádiva de te ver sorrir.
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Renatim Pirei
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17:23
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