quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Sobre coisas sujas

Hoje percorri meus becos e meus medos. Tateando os cantos escuros senti cada lágrima pesar em meu corpo. Gritava por ajuda, pedia e implorava por vírgulas e por pausas. Cheguei a questionar, se isso, realmente teria um fim ou seria um?! E aí, nunca desejei tanto, me sentir em paz e estar de volta em casa.

Na verdade queria mesmo era estar em seus lábios, e poder de novo perguntar, "Está tudo bem?". Como se o oceano de mágoas não fizessem que nosso barco tivesse para onde navegar. Nesses mares tempestuosos, nunca se soube porque começamos e como aqui paramos, quisera nunca mais viajar. E de novo, só desejo ir para casa.

E parece que isso não tem explicação. Esse monstro gigante e sentimental que me devora e insiste em aparecer. Tento mudar os móveis de lugar, o horário de despertar e a coisa continua a acontecer. E não adianta pedir para me decifrar, pois sei que você vai conseguir, ou vai me descobrir de um jeito que não quero.

Realmente não sei de nada mais. Tudo parece tão distante, como aquela paisagem perfeita e intocável. Uma lembrança de você em meus braços e eu todo embaraçado. Um cheiro no pescoço e um cafuné na cabeça, e mesmo assim, continua perfeito do mesmo jeito que meus becos e meus medos... onde encontro meus pontos e meus cacos. Haja perfeição.

3 comentários:

Ana Flávia Alberton disse...

Para algumas coisas não há escapatória: mudar os móveis não resolve, às vezes é necessário mudar de casa. Para o amor, não há um jeito de descobrir um não querer, o amor é uma forma de tirar o bom de tudo aquilo que tentamos fazer de conta que não existe ou que não é inerente a nós. A perfeição está naquilo que escolhemos para assim ser.

Lindo texto, como sempre.

kelly rodrigues disse...

Tá ficando cada dia melhor!!!

Ana Lídia disse...

Tentar refugiar-se em casa e esconder-se do próprio coração.
Querer mudar externamente, ainda que o que mais nos comprometa esteja mais próximo de nós mesmos.
E, no fim, perceber que os pequenos detalhes e os nossos pequenos dramas revelam muito do que sentimos. A perfeição está aí: são olhares, pequenos gestos, instantes de silêncio, momentos de nostalgia, uma recordação.
Belo texto.

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