terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um depoimento

Sonhos ousam permear minha vida assim como grandes desejos. No argumento pouco embasado, mas arduamente vivido, arrisco o palpite de que sou feito dos meus contraditórios sentimentos. Ora num gesto possessivo desejo o todo. Ora na sensatez altruísta, para quem acredita em tal, dou tudo.

Por isso libertaria as mil inquietações que tenho em mim. São grandes. São tortas. São belas e são tristes. Ouso murmurar, mas quando chegas o todo se cala. A luz tênue que revela as nuances do que vivemos faz imperar na minha vida o afeto e acima de tudo o silêncio.

Calado, amo-te.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

So Sorry

Tenho que te pedir desculpas. Talvez pelas não-lágrimas e pelos barcos não navegados. Ou ainda pelo suspiro suprimido ou pelo pôr-do-sol não posto. E na maioria das vezes, confesso, me pego pensando na distância e não o oposto. Eu só sei que tenho que te pedir desculpas.

Pedir! Para te fazer bem. Para ver que não precisamos nos despedir ou apenas acenar. Deixar esvaecer meu mundo egoísta e me por a esperar. E tudo começou ali, perto de nós e do tempo que outrora tão querido insiste em me fazer sofrer.

Sentir! Raiva das malditas entrelinhas. As mesmas que me impediram, várias vezes, de me fazer explícito, assim como você sempre desejou. Agora sou eu que anseio, mais do que essas duas palavras ("So Sorry") mostrar o quanto sinto. E saiba que sinto muito.

Pelas noites só, dormidas. Pelos sorrisos breves e explicados. Até mesmo pelo "nada" fazer parte do meu vocabulário. Pelo mau uso das palavras e dos olhares. Sinto por deixar você ir. Por ter que e querer que.

Ah! Meu amor (meu bem). Entre tantos e outros por que teimo em sentir? Tudo seria mais fácil se eu fosse egoísta e não te deixasse partir? Ouço mil vezes a nossa música, te buscando, te querendo e a única coisa que penso é So Sorry.

Começo a sentir que te quero aqui do meu lado.



“este texto aqui escrito trata-se de um meme proposto por Isa Sousa e que me chegou pelo Hisórias Sem Fim. a proposta é que os indicados façam um texto (ou o que der na telha) como se rompesse com alguém. a ideia foi inspirada na exposição Cuide de Você, da francesa Sophie Calle, que convidou 104 mulheres para interpretarem um email de seu ex-namorado que gostaria de romper o relacionamento de ambos”

Regras do meme:

1 – Escrever uma carta como se você estivesse rompendo com seu (sua) namorado (a);

2 – Escrever estas regras e uma breve explicação do que é o meme (como essa aí de cima)

3 – Indicar cinco pessoas.


Escolho Lian, Thaís, Sussy, Aninha e Bruna

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Noite mal dormida

Fujo do dia em que a verdade trairá mostrando não só a mim, mas a todos aqui presentes que não existe tão grande aflição do que minha covardia. Já disseram alguns que escondo atrás de linhas mal alinhadas e palavras pouco abastadas. Nada além do que uma bunda pessoa que insiste em amassar ínumeras películas componentes de almofadas próprias para assentos. É com isso que perco meu tempo.

Ahh! Mais belo do que ver a máscara de um falso poeta profeta cair em desagrado ao se fazerem confusas orações e diálogos mal-criados, seria vê-lo confessar que bulhufas entende do mundo e das coisas boas. É por isso que publicamente assumo: CANSEI, nada sei da vida gloriosa cheia de fulgor e benevolência. Nada entendo dos sentimentos humanos que insistem em serem contraditórios. Ainda mais quando se fala do tão paradoxal amor.

Em rima ou prosa. Cantado ou falado. Esse tal de amor não me deixa em paz. Queria saber como é, quando vem, qual gosto e quem é que tem. Se encontro de forma mal encarada (porque não fantasmagórica) em minhas medrosas palavras ou se realmente existe. Com tantas negações cai-me a dúvida se devo agradecer por inspirar-me a esonder em símbolos gráficos carinhosamente ordenados ou se devo resmungar aos céus por nunca tê-lo visto.

Fica em minha mente a imagem do ser querido e de sentimento não vivido. Dos traços definidos e dos lábios macios. Aquele toque suave que inebria até mesmo os pensamentos mais firmes e matematicamente previsíveis. No mais me resta a sensação de fracasso em desejar adivinhar o que seria tal sensação. As minhas dúvidas. Grandes e folgosas dúvidas.

Termino mais uma noite cheio de divagações. Medroso e cambaliante me vem a mente é que poderia dizer: melhor do que qualquer doce mentira é saber que por mais dura a realidade seja é sempre ela que estará lá quando abrir os olhos e sentir na boca o gostinho da manhã. Talvez isso seja amor, talvez seja só minha contradição. Quem sabe?

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segunda-feira, 10 de março de 2008

Mais um final de tarde

Chega! Basta! Digo com a certeza de quem ainda aprenderá muito na vida que não pode-se suportar mais. Despeça com certa lentidão daquilo que amarra os piores ou até mesmo mesquinhos sentimentos. Afinal, eles não existiram sem propósito ou desmerecidamente. Pense nas oportunidades que vis sentimentos ofereceram para o amadurecimento.

Encene um simples "adeus" na tentativa de se ver livre. Finalmente chegou a hora de querer algo. De querer crescer e ser belo. Quão maravilhoso é perceber que os algozes de outrora descansam tranquilamente onde só havia rancor e até indiferença. Talvez seja esse o mistério que permeia as mais belas nuances e paisagens do cerrado, pois sempre renascem de ambientes tomados um dia pela fúria do fogo.

Abrace qualquer causa. Ter um objetivo, por mais distante que pareça, ajuda a trilhar qualquer caminho por mais tortuoso que pareça. Livre-se de seu relógio. A tanto somos escravos do tempo com suas devidas causas e ansiedade. Faça por merecer. Na verdade, faça porque quer.

Longe da família dos textos ou livros de auto-ajuda-da-melhor-e-mais-bonita-autoestima do universo, escrevo com a intenção de juntamente com qualquer um , seja do mundo dos sonhos ou do real, ter uma vida cada vez melhor. Não escrevo em tentar ou ser feliz. Escrevo no ato, de talvez algum dia, alguém possa me ensinar a não ser tão humano e imperfeito assim.

Despeço mais uma vez. Digo "tchau" aos sentimentos bobocas e palavras sem sentido. Ao som do piano mais ébrio... vou-me.


"Era final de tarde. Uma fita de cetim ousava em balançar ao soprar do vento. O cheiro de terra molhada invadia o ar de forma hostil. Parecia vir das lágrimas que ousavam cair ao relento, pendentes de sentimentos nada específicos. Um turbilhão de imagens e pensamentos soltos viam a mente.

Distante aquela pequena mancha já podia ser agora definida. Os traços tenros daquelas lindas curvas impregnava os olhos com cores vivas. Era ele, caminhando lentamente ao som das folhas daquela tarde. Ah, era final de tarde.

Os passos se apressavam cada vez mais aos braços estendidos. Uma extensão do outro, era assim que sentiam. Sabiam que, ao menor descuido poderiam se ferir eternamente. Eram mais uma vez espírito e carne. Eram mais uma vez irmãos.

As lágrimas não cessaram. Mudaram de cor, como se agora estivesse tudo bem... a mesma coisa outra vida. Outro sentimento."

Peço desculpas àqueles que corajosamente acompanharam meus textos até aqui. Acho que a graça é ver estampada nos olhos, o sorriso da alma depois de tanto tempo distante. Claro que não tenho a pretensão de achar belo ou até mesmo convincente os textos que aqui publico. Espero por mais uma vez enchê-los com minhas confusões sentimentais.
Obrigado.

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sábado, 5 de janeiro de 2008

Batem os sinos pequeninos - Meu segundo mês...

França, Tolouse - Dezembro de 2009

Minha paixão, como está? Parece uma pergunta da qual já posso saber a resposta. Claro que está super bem, com o tanto de pensamentos positivos que emano, não teria como ser de outra maneira. Já faz algum tempo que não escrevo, mas é porque realmente as viagens têm me cansado um pouco, por isso peço desculpas pelo suspense e pela demora.

Nesse momento estou sentado num banco, perto do rio Garonne. Alguns casais transformam a linda paisagem num momento íntimo e amoroso, e então não consigo parar de pensar em coisas boas. O sol e o clima da região são bem interessantes, diria perfeitos para uma tarde cheia de algodão-doce e algumas guloseimas que só nos deixariam mais felizes... Esse tal de açucar!

Faltam alguns dias para o Natal, quatro para ser exato, e imagino você aqui comigo. Esse céu tão simples e azul, atiça a minha imaginação junto com os desejos mais puros e brincalhões. A grama nunca foi tão verde como agora e as minhocas, nunca foram tão felizes. Esfrego meus pés na terra, e a sensação, ah... é uma sensação rosa, como a cor da maioria das casas da região.

Quero que me desculpe. Não sei como fui me apegar assim tão rápido. Confesso que não houve só um dia em que não guiasse as estrelas para escrever seu nome. Convenhamos, coisas tão boas não aparecem assim, do nada, ou caem do céu como você veio para mim. Pareço meloso? Mas não sou não... é só carinho, imagina.

As singelas luzes do parque são acessas aos poucos. Uma corrente de ar passa por mim agora carregando pensamentos solitários do velho mar. Faço de tudo para não me sentir sozinho, mesmo porque, dentro de mim só cabe você. Quase ia me esquecendo, ao ler esta carta, coloque a mão em seu coração e sinta aos pouquinhos o meu amor batendo em você.

PS.: Não resisti e comi o chocolate. Não teve jeito, ele olhou para mim com aquela feição carente... O que mais poderia ser feito?! Não teve outro jeito.
PS2.: Dentro do envelope como deve ter percebido, há uma estrela. Foi um velho Souriant (é como são chamados os caçadores de estrelas) que me deu... ele diz que podemos guardar os nossos melhores sentimentos e oferecer a uma pessoa querida. Ele ainda disse que as estrelas têm o poder de tornar realidade qualquer desejo puro... basta acreditar.

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Sobre coisas sujas

Hoje percorri meus becos e meus medos. Tateando os cantos escuros senti cada lágrima pesar em meu corpo. Gritava por ajuda, pedia e implorava por vírgulas e por pausas. Cheguei a questionar, se isso, realmente teria um fim ou seria um?! E aí, nunca desejei tanto, me sentir em paz e estar de volta em casa.

Na verdade queria mesmo era estar em seus lábios, e poder de novo perguntar, "Está tudo bem?". Como se o oceano de mágoas não fizessem que nosso barco tivesse para onde navegar. Nesses mares tempestuosos, nunca se soube porque começamos e como aqui paramos, quisera nunca mais viajar. E de novo, só desejo ir para casa.

E parece que isso não tem explicação. Esse monstro gigante e sentimental que me devora e insiste em aparecer. Tento mudar os móveis de lugar, o horário de despertar e a coisa continua a acontecer. E não adianta pedir para me decifrar, pois sei que você vai conseguir, ou vai me descobrir de um jeito que não quero.

Realmente não sei de nada mais. Tudo parece tão distante, como aquela paisagem perfeita e intocável. Uma lembrança de você em meus braços e eu todo embaraçado. Um cheiro no pescoço e um cafuné na cabeça, e mesmo assim, continua perfeito do mesmo jeito que meus becos e meus medos... onde encontro meus pontos e meus cacos. Haja perfeição.

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terça-feira, 20 de novembro de 2007

Quando senti Saudade

Um dia, olhando pela janela de meu quarto, lembrei que sentia falta de um sentimento tão instigador. Queria, na verdade, era ser pego de surpresa, naquele momento em que as notas de piano fossem tocadas metodicamente de forma aleatória. Então, o som fugiria aos meus ouvidos e me surpreenderia pelos olhos. As lágrimas, como não poderiam deixar de ser, insistiriam em cair copiosamente.

Ah, um dia! Meu coração palpitaria de forma acelerada e descompassada. Sem pressa, como numa enxurrada, bombearia para minha alma a razão do meu ser tão emocional. Capaz que viveria a pele rubra, a mão fria e o lábio trêmulo. Teria certeza que sentiria, se isso fosse tão meu. E quisera que também não fosse mais seu.

Esse dia... Provavelmente caberia um "oi bem meu"! E naqueles olhos esquecidos e sofridos, poderia ver a marca daquelas cores tão belas e vistosas. O cabelo estaria ondulado, o sorriso largo e os olhos fechados. E com um pouco de mel colocaria o céu, num pedaço de papel... começaria a misturar até ficar como aquele dia. O dia em que senti saudades...

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