domingo, 13 de janeiro de 2008

Universo de papel - Cartas de um caçador de estrelas

Pedaço amassado de guardanapo- escritos indecifráveis, letras rabiscadas.

Você deve ter seguido a orientação para não jogar o papel fora. Fico feliz, de verdade. E se jogou fora, espero que esse pequeno pedaço de história faça a diferença na vida de quem o achar. Ah, ia me esquecendo, prazer sou um
Souriant

"As estrelas não são tão simples de entender ou até mesmo de se ver. Elas são mágicas e podem nesse exato momento estar entre nós, aqui da Terra mesmo. Já reparou nas pessoas que conseguem sorrir para você, mesmo sem te conhecer? Pois então, essa é uma característica delas (mas estão disfarçadas é claro).


Mesmo com anos de experiência correndo (quase literalmente) atrás desses seres brilhantes, não saberia distinguir com precisão uma pessoa normal de uma estrela. Então parei para pensar e resolvi que todos que me deixam feliz podem ser uma em potencial.

Uma vez vi uma criança sentada no meio-fio. O olhar perdido para o nada se confundia com o tom cinza da pele suja. Suas nuances chamaram-me a atenção meio as cores vivas dos vegetais jogados ao chão. Semi-vestida (não sei se posso chamar aquilo de roupa) parecia deliciar-se com o abstrato da vida, meio que sem jeito, meio que inocente.

Sentei do lado e sem perguntar-lhe nada ouvir dizer:
- Você sabia que jacaré não tem pescoço? - disse a menina.

Respondi negativamente com a cabeça e prontamente comecei a rir. Então algo aconteceu. Ela tranquilamente colocou a cabeça em meu colo, sem pedir licença e nem nada, e disse o que pra mim ficou marcado para sempre. Disse que havia feito o que fora lhe destinado.

- Menina o que te mandaram fazer? - perguntei afoito.
- Precisava fazer alguém sorrir... um sorriso de alma, um sorriso de coração.

Com os olhinhos fechados ela pôs-se a dormir para todo o sempre. Pequeninos fios começaram a cair do céu. Era a chuva, que na morte do dia insistia em cair triste e mórbida. Não sei porque, mas a partir daquele momento pintou em mim uma vontade de querer fazer bem."

É mais ou menos assim que começa a vida de um Souriant. Um destino cheio de acasos, de sentimentos abstratos e hiperbólicos. No mesmo tempo tudo, na mesma hora nada. O objetivo é poder criar a oportunidade de realizar desejos. Assim começa a vida de um caçador de estrelas. E eu juro, sempre procurei você (esperando que você não tenha jogado o papel fora).

5 comentários:

Ana Lídia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Lídia disse...

Às vezes os vagalumes são confundidos com as estrelas...

Eles brilham, brilham e se escondem.

Quando reacendem, trazem o sorriso tão bem compreendido.

Ana Flávia Alberton disse...

Há dias em que o mundo não precisa mais do que um sorriso. E a gente sempre encontra o mágico quando deixamos de procurar. Assim é a vida.

=***

Thá disse...

as estrelas... ah, as estrelas..

será que uma estrela sozinha ilumina uma noite escura?

Ana Lídia disse...

Quando atualiza?