quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Te amo nesse dia mais feliz

23/01

Oi,

Lembro-me que era um sábado do ano de 1983. Morria na Cidade do México, Bienvenido Granda, grande cantor e compositor latino-americano. Era também nove de julho, que em meados da década de 30 foi um dia marcante não somente para São Paulo, mas para o Brasil. Fora deflagrada a Revolução Paulista. Meras conexões e uma surpresa do destino.

Em 9 de julho de 1983 foi exatamente quando abri os olhos para o mundo pela primeira vez. As 16 horas e 10 minutos eu já estava atrasado uns cinco. Poderia sentir a interminável insistência para que eu deixasse aquele espaço tão dócil, agradável e confortável. Não queria sair, de jeito nenhum, mas os apelos eram maiores.

Naquele instante, mesmo que sem ar, estava a ganhar o mundo. Pude com meus pezinhos cansados sentir a superfície áspera dos panos que me envolviam. Sentia também falta, de algo que mesmo tão próximo, nunca fora tão distante. Minhas mãos procuravam incasavelmente um tato amigável, quente e acima de tudo amoroso.

Foi quando percebi o toque sutil e delicado de alguém. Beijava-me como buscava as estrelas e abraçava-me como se as quisesse guardar em seu bolso. E poderia, mesmo porque eu era do tamanho de um sapato infantil. Prendia, mesmo que inconsciente, meus afagos naqueles cabelos macios e cheirosos. Agora voltara para perto de onde nunca desejaria ter saído.

O estranho foi ser visto como uma dádiva. O milagre da vida que tanto insiste em fazer dos seres humanos, bobos e boquiabertos. Por mais que o momento se repetisse milhares de vezes, cada um possuía sua especificidade. Afinal de contas, milagres não são fáceis de se ganhar ou adquirir. E acho que te vejo assim, uma dádiva em minha vida.

Hoje é seu dia e que dia mais feliz, poderia dizer uma música. Mas sinceramente, não quero cantar ou desejar-te tudo de bom. Simplesmente quero senti-la em meus braços, assim como você me sentiu pela primeira vez. E nos meus olhos poderá perceber que nunca te quis mal ou perdi o amor que tenho por você.

É, feliz aniversário... e mesmo com todos esses anos passando, os afagos, os sorrisos, continuamos os mesmos. Os mesmos não, melhores. Mais experientes, é claro, mas também mais amorosos e cada vez mais unidos. Menos brigas e mais amores. Vários ditados, frases clichês e chavões poderiam expressar mais e em menos palavras o que tenho pra te dizer.

É por isso que eu uso aquele bom e velho : Eu te amo mãe.

A qualquer momento você pode chegar. Já são quase uma hora da manhã e você nem sabe que tem um presente dentro do seu guarda-roupa. É uma caixinha que tem como chave uma estrela. O segredo para abrir você vai ter que procurar... quer uma dica?

Feche os olhos e ponha a mão no coração. Pense positivo e empurre o dedão.

No fim eu que ganhei o melhor presente, você.

Feliz Aniversário mamãe, espero que goste.
Do filhote
Renato

9 comentários:

Ana Lídia disse...

Que lindo...

Sussy Michelly disse...

Lindo. Espero que o textinho também esteja na caixinha dentro do guarda-roupa.
bjo

Ana Flávia Alberton disse...

Leve, verdadeiro, intenso.
O que mais esperar de um texto? Nada.

=***** sr. sumido ^^

marília disse...

noooossa..
arrepiei demais!
que sorte que essa mãe tem, hein?

Ana Carolina disse...

Pirei... Cada dia melhores. E porque não? Seu texto mostra esse grande coração que você tem aí exposto para todos aqueles que lhe procuram.

Parabéns para sua mãe linda que fez

Lian Tai disse...

Que gracinha! Quero em filho assim, hehe! Bj!

Kárita disse...

Eita,mas a Lígia caprichou nesse filhote,viu???rsrsrsrs
Que coisa mais linda o texto!

Gabi ela disse...

O Renato escreve tão bem, que supera todo mundo, e ninguém sabe porque ele ainda não escreveu um livro.

Mila Naves disse...

olá ;)

Muito lindo o seu texto! Yeah, é criativo e causa uma sublime emoção nas pessoas! Sua persuasão é intensa ao fazer acreditar que Mães são como contos de fadas, sempre felizes e legais ... ;)

Parabénsss! bjos