domingo, 20 de janeiro de 2008

Mira no meu céu infantil - Meu quarto mês...

Malásia, Kuala Lumpur e Cameron - Fevereiro de 2010

Oi, e se eu estivesse aí, na sua frente, seria um "oi" tímido. Faz algum tempo que não escrevo, e ainda mais com aquelas duas cartas que mandei anteriormente você deve ter se preocupado. Estava em dúvida se escreveria esta, mas ao perceber a perfeição e a beleza da complexidade das relações humanas (difícil isso né?), não resisti ao te enviar mais uma carta.

A sensação de que minha jornada está tomando um rumo é muito grande. Mesmo sem razão aparente, até porque não teria como você saber, eu precisava me encontrar. É como se para fazer-te feliz eu precisava espantar ou pelo menos conhecer meus medos. Na verdade, acho que estou ficando amigo deles.

Ontem o clima tropical de Cameron relembrou a minha cidade natal. Fazia tempo, que por esses climas frios que tenho percorrido não trazia a memória sensações tão sinceras e reconfortantes. A distância de tudo que amo, me deixa cada vez mais longe da realização de meu desejo. Mesmo com toda essa paisagem de campos verdejantes não conseguem me levar a bons pensamentos.

Sinto, confesso, que estou preso a algo que não existe mais. Imagino em meus sonhos tudo aquilo que sempre almejei não possuir. Então me esforço a lembrar de coisas queridas. De algo que me prenda a caminhos simples. Como naquele dia, em que pela primeira vez pude ser criança. O tempo em que tudo era novo. Tudo era mágico.

As luzes insistiam em competir com o brilho de um céu estrelado. O barulho do metal contra as pregas de borracha parecia música feita especialmente para aquele momento. Um menino magro, com bermudas largas e suspensórios. Estava eu e mais dois amigos, que mesmo numa forte insistência não conseguiria lembrar de nomes.

O mundo rodava constantemente. Nunca havia visto brinquedos tão novos e desejados. O suave gosto do algodão-doce se espalhava por todo meu paladar. O sorriso das pessoas transpassavam corpos e mentes causando-nos sensações levemente adocicadas. Os olhos curiosos perdiam-se na maravilha e atração daquele ambiente mágico.

Senti-me livre ao alcançar altitude nunca antes imaginada. Pude, por um segundo tocar numa estrela, e ver que a partir daquele instante, teria uma vida cheia de aventuras e perdições. Na verdade, com as mãos em meu coração desejei alcançar tudo que sonhei. E sonhei por muitos e muitos anos.

Vejo agora, que meus sonhos se realizaram. Não passa um dia sequer que não imagino que estas palavras cheguem a seu coração. Se pudesse te passar algo, uma lição... eu falaria:

Ponha a mão em seu coração e dessa forma imagine qualquer lugar. Mas tem que ser um lugar tranqüilo, com o céu limpo e azul. Um lugar onde possamos sentar e rir sozinhos. Um lugar que me permita falar ao seu ouvido bem baixinho... Esteja onde estiver, sempre estarei com você, na alma, na vida e no coração.

Ps.: Estou levando chá e algumas fotos de Kuala Lumpur.
Ps2.: Aqui tudo é muito engraçado (Kuala Lumpur) o que é mais novo no mundo se mistura ao tradicional de gerações seculares. Tenho certeza que ainda voltarei aqui com você.

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