terça-feira, 20 de novembro de 2007

Quando senti Saudade

Um dia, olhando pela janela de meu quarto, lembrei que sentia falta de um sentimento tão instigador. Queria, na verdade, era ser pego de surpresa, naquele momento em que as notas de piano fossem tocadas metodicamente de forma aleatória. Então, o som fugiria aos meus ouvidos e me surpreenderia pelos olhos. As lágrimas, como não poderiam deixar de ser, insistiriam em cair copiosamente.

Ah, um dia! Meu coração palpitaria de forma acelerada e descompassada. Sem pressa, como numa enxurrada, bombearia para minha alma a razão do meu ser tão emocional. Capaz que viveria a pele rubra, a mão fria e o lábio trêmulo. Teria certeza que sentiria, se isso fosse tão meu. E quisera que também não fosse mais seu.

Esse dia... Provavelmente caberia um "oi bem meu"! E naqueles olhos esquecidos e sofridos, poderia ver a marca daquelas cores tão belas e vistosas. O cabelo estaria ondulado, o sorriso largo e os olhos fechados. E com um pouco de mel colocaria o céu, num pedaço de papel... começaria a misturar até ficar como aquele dia. O dia em que senti saudades...

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Cansado, desde sempre.

Ouvindo a música de Caetano Veloso, Canto do Mundo, posso ver onde que em mim, a vida é vazia.Vejo também meus monstros marinhos, que agora, tenho certeza nunca foram tão meus. Me foge a mente momentos íntimos tão felizes...

Uma idéia que se forma,
Um olho marejado,
Uma lágrima que cai.
Um sentimento que deforma.

Uma questão de desejar ter asas e voar para longe. Um lugar onde não me acesso, e dessa forma, escondo de meus medos. Sim, covarde, alguns diriam. Mas essa também é uma forma de me encontrar. Num lugar onde não preciso me sentir querido, e nem preciso me amar.

Só quero me entender. Poder pensar... e finalmente, descansar.

domingo, 11 de novembro de 2007

Princesa Perfeição

Pela janela do meu quarto posso sentir melhor. O vento corre em direção ao norte, anunciando uma leve chuva que cairá. No horizonte, a tênue luz do sol, cobre calorosamente os pequenos montes verdes. Parece sonho... daqueles dias nublados, em que podemos contemplar o tempo de forma ociosa e simples.

Mas antes, de poder enxergar a beleza das coisas imprescindíveis, a vida pra mim não era tão bela. De uma forma singela, gostaria de lhes falar... espero não deixar-lhes tristes ou com os sentimentos a flor-da-pele, mas prestem atenção no que vou contar. Começo aqui, a descrever, como um dia, comecei a ser feliz...


"Seguia meu caminho, descalço com os pensamentos míopes e deslocados. Um destino mal traçado, onde tortuosamente era obrigado a trafegar. Embriagado em sonhos e ilusões já não aguentava o peso de um coração a sangrar.

Foi ai, que minha princesa, pude encontrar. Em meus sonhos já via com os olhos sabidos e cheios de risos, que viriam a calhar. Imaginava, de pertinho, com botas brancas e saia de bailarina. Então poderia finalmente escutar: "Oi, por onde você andou?! Estava te esperando".



Suas palavras davam um "q" mais que especial. Era a primeira vez que a lia, o que me obrigava a tentar decifra-la. Mistério e beleza num mesmo lugar. Sonho, estava claro, só poderia ser.


E aí, meio que por acaso do destino, para quem acredita ou não, ela estava lá. Conversamos sobre coincidências, numerologia, tarô, chacras, signos e principalmente, paradoxos. Uma coisa meio sem pé nem cabeça, mas que iam indo... como as coisas do coração.


Foi aí que percebi que a princesa não era tão perfeita. Que na verdade, era gente como eu. Sofria dos mesmos males e sentimentos. Que estava tão distante, assim como os pensamentos, de quem não é completo.

- Ela existe. - Tenho certeza. E pede de vez em quando que "o mundo pare para ela descer, mas muitas vezes o mundo não pára". Então, ela mesmo segue em frente, com suas carências e imperfeições.

O perfeito nunca foi tão abstrato como depois disto. E o que ela não sabe, é que tem gente que sonha com ela, mesmo sem tê-la encontrado. Que torce para que um dia a distância entre eles seja somente um passo para o abraço."

E agora, me desculpem, o cheiro de terra molhada me traz em si. As memórias poderiam ficar um pouco vagas, se aquilo que lhes contei não fizesse parte da cada um de vocês. Fica claro, como as distantes luzes que brilham nessa noite tão linda, que os desejos mais imperfeitos e inesperados, podem fazer de nós pessoas melhores.

Engraçado pensar que parece mais uma daquelas histórias de Happy End. Com príncipes e princesas, cavaleiros, cavalheiros, damas e dragões. Mas eu falo, que isso não existe... a não ser que você se permita a sonhar e reconhecer que a vida é cheia de altos e baixos, e que muitas vezes precisamos andar na contramão.

No fundo, mas bem no fundo mesmo... resumiria tudo isso em amor próprio e imperfeição. Nunca fui tão feliz em querer algo que não fosse ideal ou que me disparasse o coração. Só é feliz quem quer... o meu segredo é querer a Princesa Perfeição.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Dois copos de Tequila e muita vontade de voar.

(escrito em 23/11/06)

Tudo parecia nublado. Seus olhos entre-abertos admiravam a verticalidade do chão, já que encostara seu ouvido esquerdo naquela superfície áspera e fria. Bem distante sentia seu coração. Cheio, vazio, cheio, vazio, cheio e vazio. Assim como aquele copo de Tequila que ele sempre desejou estar cheio. Muita vida, amor, paixões, prazeres, frustrações e arrependimentos. Sentia que em cada gota virada poderia mudar o mundo, ou que o mundo o mudasse.

Mudar as coisas somente se fosse o senhor do tempo. Por mais clichê que pareça é o que ele pensava. Tempo ao tempo, tempo a si mesmo. Até aquele momento não havia lhe dado uma chance para respirar, se renovar. E pensar que tudo começou assim, com um ar ofegante, quente.

As palavras eram sussurradas em seu ouvido. Ela parecia não falar, não falava. O momento escancarava caras e caretas, jeitos e toques. Nessa hora a palavra embriagues ganhava mais um sentido para ele. Embriagado pelos sonhos e pelo amor estava ele atônito diante daquela que julgava ser a mulher da sua vida.

Aquele mundo impreterivelmente relativo de Einstein estava agora mais abstrato. Pela primeira vez dois corpos ocuparam o mesmo lugar no espaço. O tempo, antes responsável por tudo já não existia. Ele virou ela e ela numa conexão de junções se fundiu a ele. Muito além das ciências exatas e gramática os dois se completavam.

A felicidade eterna parecia rondar suas vidas. Eterno entrou num conceito neológico, onde a magia e o sentido da palavra era criada por eles. Eles também deixou de existir, na verdade eram agora um só. Nos abraços, beijos e carícias, nos olhares tristes e risonhos, tudo isso, num só ser, numa só vida. Ele a despia com seus olhos percorrendo as curvas do corpo dela como se conhecessem a séculos. Seus dedos corriam por cada brecha e dobra daquela mulher, como se percorressem em seu próprio corpo, o prazer era o mesmo.

O amor que sentia por ela era tão forte, que numa manhã tranquila, onde o vento trazia o primeiro perfume da primavera, ele resolveu lhe dar a coisa que mais gostava. Não fazia mais sentido ter só para si aquele que carregava os sentimentos mais puros, sinceros e belos. Seu coração, deu a ela sua fonte de vida. Ela era sua vida, vida, vida, amor, amor, amor. Amor e vida, agora de verdade uma coisa só.

Nos encontros e desencontros, besteiras e importâncias os dois se afastaram. Poderia escrever parágrafos e várias páginas justificando o que é inexplicável e mesmo assim ninguém entenderia. Como um amor assim pôde ser distorcido? Ele não sabe... ela? Ele não sabe. Voltaram o tempo e o espaço, muito mais exatos. Tudo parece ser gramaticalmente chato. A forma dura e direta das frases já não são bonitas, não são imperfeitas.

Imperfeito é sem seu coração. O sangue circula por uma caixa vazia, fria. Voar ele não consegue mais. "Onde está ela?" - pensava. Talvez foram as palavras erradas que como num jogo de "cruzadinha" um erro induz a outro. Será que é um jogo? As dúvidas cortam suas veias e seu corpo como navalhas. E o pensamento perdura, "onde está meu coração?".

O sofrimento existe, apesar da paixão e do grande amor ele existe. Assim como a dor de não terminar o que escrevo, assim como a história não acabou. A única coisa que quer é voar, para bem longe... mas sem seu coração ele não vive, ele quer esperar... mas até quando ele dura?! Só pensa numa coisa, "amor, meu querido amor, voltemos a ser um só, com você quero viver eternamente, assim como no fim das histórias e canções de amor".

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Ouvindo: Stereophonics - Mr. Writer
via FoxyTunes

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

...


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...

Tem um tempo que não passa
Algumas coisas que não mudam
E para cada gota no fim da taça
É uma noite que restou

No mais, quero viver em paz
Te pegar no colo, e chamar de meu bem
Assim daquele jeito
Para ouvir que me quer também

Quando parecer o fim do mundo
e alguém disser que acabou
Espero estar surdo
E ter para sempre o seu amor.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Palavras bonitas, beijos e abraços

(escrito em 29/10/06)

O dia estava calmo. A cidade parecia mais tranquila que o normal. Os pássaros faziam sinfonia juntamente com o barulho do vento nas flores das árvores e jardins. A primavera transformara o cinza do inverno no colorido mais alegre do mundo. E naquele dia, suas carícias pintaram em meu coração mais do que as sete cores do arco-íris.

O primeiro contato foi o sorriso. Primeiro seus lindos olhos sorriram para mim, como se uma lagoa com águas brilhantes e límpidas mirassem a lua. E depois timidamente suas mãos correram entre meus braços tentando alcançar os meus ombros, depois meu pescoço. O desconhecido agora era mais íntimo do que qualquer coisa. Como era mágica essa tal de primavera...

A beleza do que realmente era belo embriagava meus sonhos. Assim como a mágica faz parte de tradições ilusionistas. Talvez imaginei as coisas de uma forma bem diferente de como elas aconteciam. Será que o toque era verdadeiro? O cheiro, a pele? No momento poderia ser uma ilusão, mas prefiro acreditar que eram de verdade. Mesmo assim não deixei de pensar, e de sonhar.

Eu adorava admira-la a dormir. Sua aparência verdadeiramente revelada era igual a das flores que embelezavam o jardim do meu coração. Vivemos e crescemos juntos, cada dia mais próximos. No amor o baile de nossas almas justificavam o espetáculo. O ato de se fundir num só corpo, mente e alma reescrevia o que já havíamos vivido e o que viveríamos. Aliás, não viveríamos mais...

Saudade, palavra exclusiva da língua portuguesa, define bem o que senti depois que tudo mudou. As pontinhas do seus dedos corriam pelos meus braços. As cócegas me faziam rir, me faziam bem. Um ar de nostalgia invade o ambiente quando penso nisso. O que resta agora é o sentimento, a imaginação! E eu ainda continuo com a mesma dúvida.. será que o que aconteceu foi de verdade? Acredito que a qualquer momento posso acordar, com o meu suor escorrendo pelos olhos... e pensando... "o que aconteceu?".

Sim, sinto falta das palavras bonitas, dos beijos e abraços. Do olhar silencioso, do sorriso largo. Do toque e das discussões... será que foi verdade?

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

... demais ...


Sensível demais... para ler seus lábios e seguir seus passos.
Sensível demais... para te ter no altar e venerar...
Sensível demais... para esperar o seu amor.

Covarde demais... para ouvir aquela música.
Covarde demais... para sentir o seu cheiro...
Covarde demais... para pensar em ti.

Inseguro demais... para te buscar.
Inseguro demais... para te ter em meus braços...
Inseguro demais... para voltar atrás.

E eu fico aqui esperando. Por que é sempre mais fácil esperar? Agora me diz, quando você vai chegar? Meu amor...

domingo, 4 de novembro de 2007

Sweet dreams are made of...

Sentados a beira do precipício o silêncio finalmente fora cortado:

- Oi. - Disse apreensivo.
- Oi.

- Vou contar pra você, uma pequena história, pode?
- Claro. - Afirmou.

- Então... (pigarreou) não importa o quão longe esteja a estrela, o seu brilho continuará a se fazer no infinito do universo, testemunhando laços de amor e amizade, sorrisos e tristezas e as vezes até cortejando a almas daqueles que tiveram a oportunidade de notá-la na vastidão azul do céu (desse aqui, apontou)... e que mesmo depois de morta (silêncio)... sua essência durará a importância que for dada a ela.
- Hum... e por que só agora você me conta isso?

-Bem... - Recuou - Achei que poderia te conquistar.
-De novo? - Incisiva.

-Sim, de novo...
-Que pena. Meio difícil agora...

-Mas por que? - Preocupado.
- Onde estou, não posso ser conquistada. É muito frio e dolorido. Pequeno e triste.

-E que lugar seria esse?!
- Aqui seu bobinho... - aponta para o coração de outrem.

-Mas, e todas as palavras bonitas que disse a você!?
-Continuarão no mesmo lugar, em seus pensamentos, até eu deixar de existir em seus sonhos.

-...
-...

*Silêncio. O vento roçava em suas pernas... logo ali... a beira do precipício.