terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sempre quis

Que fizesse de mim o seu tempo. Na falta de coragem ou suspiros eu sempre quis. Um eu singular e na maioria das vezes egoísta. Mera tentativa de ser feliz. Isso, eu sempre quis.

Que os nossos sentimentos não fossem com o vento. Uma carona apressada, sem nenhum ou pouco alento, ousa fazer esmaecer o que tenha sido o nosso sustento. Ah! Esse maldito vento!

Será que foi muito rápido? O olhar, o toque, o cheiro e o beijo? É ódio? Intermitências de um coração jovem e superficial? Na ansiedade do nada, prefiro as palavras. Nuas e sinceras. Temerosas e diretas.

E você me deixa assim. Na necessidade do beco, das dúvidas e da perdição. Com pensamentos insólitos e muito distantes. Esvai da minha vida com um não. E assim você se vai de mim.

Isso eu sempre quis. Amor imperfeito e de cetim. Coroa de flores, pequenos tremores, vida amarela e calçada de pedra. Amor, isso eu sempre quis.

Definitivamente. Sempre quis.

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terça-feira, 28 de abril de 2009

Meu não querer

Saudade da saudade bateu-me forte esses dias. Misto de olhos marejados e dor pontuda fazem repente com a vontade de querer longe só para sentir falta. Principalmente na pausa entre os suspiros, quando fraquejo e me entrego aos pensamentos. Então tudo dói. Por isso desejo que se vá, coisa minha, só para possuir a necessidade de te querer.

Pergunto-me se é infortúnio tal intimidade não me deixar sozinho. Será que sofro em contradição? Pois todo bem quisto que se vai é ruim de se perder ou de não se ter. Mesmo cheio de questões, nada sobre isso me incomoda. Patologias: egoísmo ou possessão, sei que ainda não sofro. ANEMIA, será esse meu problema?

Se tal fraqueza for amor e liberdade, com pitada de saudade, pode apostar que é disso que eu sofro. A distância é mera tentativa de ter a expectativa de primeira vez. Do beijo vivido e do pescoço cheiroso. De verdade, tudo é mais gostoso quando é o outro quem decide voltar é por isso que desejo que se vá.

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domingo, 20 de janeiro de 2008

Mira no meu céu infantil - Meu quarto mês...

Malásia, Kuala Lumpur e Cameron - Fevereiro de 2010

Oi, e se eu estivesse aí, na sua frente, seria um "oi" tímido. Faz algum tempo que não escrevo, e ainda mais com aquelas duas cartas que mandei anteriormente você deve ter se preocupado. Estava em dúvida se escreveria esta, mas ao perceber a perfeição e a beleza da complexidade das relações humanas (difícil isso né?), não resisti ao te enviar mais uma carta.

A sensação de que minha jornada está tomando um rumo é muito grande. Mesmo sem razão aparente, até porque não teria como você saber, eu precisava me encontrar. É como se para fazer-te feliz eu precisava espantar ou pelo menos conhecer meus medos. Na verdade, acho que estou ficando amigo deles.

Ontem o clima tropical de Cameron relembrou a minha cidade natal. Fazia tempo, que por esses climas frios que tenho percorrido não trazia a memória sensações tão sinceras e reconfortantes. A distância de tudo que amo, me deixa cada vez mais longe da realização de meu desejo. Mesmo com toda essa paisagem de campos verdejantes não conseguem me levar a bons pensamentos.

Sinto, confesso, que estou preso a algo que não existe mais. Imagino em meus sonhos tudo aquilo que sempre almejei não possuir. Então me esforço a lembrar de coisas queridas. De algo que me prenda a caminhos simples. Como naquele dia, em que pela primeira vez pude ser criança. O tempo em que tudo era novo. Tudo era mágico.

As luzes insistiam em competir com o brilho de um céu estrelado. O barulho do metal contra as pregas de borracha parecia música feita especialmente para aquele momento. Um menino magro, com bermudas largas e suspensórios. Estava eu e mais dois amigos, que mesmo numa forte insistência não conseguiria lembrar de nomes.

O mundo rodava constantemente. Nunca havia visto brinquedos tão novos e desejados. O suave gosto do algodão-doce se espalhava por todo meu paladar. O sorriso das pessoas transpassavam corpos e mentes causando-nos sensações levemente adocicadas. Os olhos curiosos perdiam-se na maravilha e atração daquele ambiente mágico.

Senti-me livre ao alcançar altitude nunca antes imaginada. Pude, por um segundo tocar numa estrela, e ver que a partir daquele instante, teria uma vida cheia de aventuras e perdições. Na verdade, com as mãos em meu coração desejei alcançar tudo que sonhei. E sonhei por muitos e muitos anos.

Vejo agora, que meus sonhos se realizaram. Não passa um dia sequer que não imagino que estas palavras cheguem a seu coração. Se pudesse te passar algo, uma lição... eu falaria:

Ponha a mão em seu coração e dessa forma imagine qualquer lugar. Mas tem que ser um lugar tranqüilo, com o céu limpo e azul. Um lugar onde possamos sentar e rir sozinhos. Um lugar que me permita falar ao seu ouvido bem baixinho... Esteja onde estiver, sempre estarei com você, na alma, na vida e no coração.

Ps.: Estou levando chá e algumas fotos de Kuala Lumpur.
Ps2.: Aqui tudo é muito engraçado (Kuala Lumpur) o que é mais novo no mundo se mistura ao tradicional de gerações seculares. Tenho certeza que ainda voltarei aqui com você.

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domingo, 11 de novembro de 2007

Princesa Perfeição

Pela janela do meu quarto posso sentir melhor. O vento corre em direção ao norte, anunciando uma leve chuva que cairá. No horizonte, a tênue luz do sol, cobre calorosamente os pequenos montes verdes. Parece sonho... daqueles dias nublados, em que podemos contemplar o tempo de forma ociosa e simples.

Mas antes, de poder enxergar a beleza das coisas imprescindíveis, a vida pra mim não era tão bela. De uma forma singela, gostaria de lhes falar... espero não deixar-lhes tristes ou com os sentimentos a flor-da-pele, mas prestem atenção no que vou contar. Começo aqui, a descrever, como um dia, comecei a ser feliz...


"Seguia meu caminho, descalço com os pensamentos míopes e deslocados. Um destino mal traçado, onde tortuosamente era obrigado a trafegar. Embriagado em sonhos e ilusões já não aguentava o peso de um coração a sangrar.

Foi ai, que minha princesa, pude encontrar. Em meus sonhos já via com os olhos sabidos e cheios de risos, que viriam a calhar. Imaginava, de pertinho, com botas brancas e saia de bailarina. Então poderia finalmente escutar: "Oi, por onde você andou?! Estava te esperando".



Suas palavras davam um "q" mais que especial. Era a primeira vez que a lia, o que me obrigava a tentar decifra-la. Mistério e beleza num mesmo lugar. Sonho, estava claro, só poderia ser.


E aí, meio que por acaso do destino, para quem acredita ou não, ela estava lá. Conversamos sobre coincidências, numerologia, tarô, chacras, signos e principalmente, paradoxos. Uma coisa meio sem pé nem cabeça, mas que iam indo... como as coisas do coração.


Foi aí que percebi que a princesa não era tão perfeita. Que na verdade, era gente como eu. Sofria dos mesmos males e sentimentos. Que estava tão distante, assim como os pensamentos, de quem não é completo.

- Ela existe. - Tenho certeza. E pede de vez em quando que "o mundo pare para ela descer, mas muitas vezes o mundo não pára". Então, ela mesmo segue em frente, com suas carências e imperfeições.

O perfeito nunca foi tão abstrato como depois disto. E o que ela não sabe, é que tem gente que sonha com ela, mesmo sem tê-la encontrado. Que torce para que um dia a distância entre eles seja somente um passo para o abraço."

E agora, me desculpem, o cheiro de terra molhada me traz em si. As memórias poderiam ficar um pouco vagas, se aquilo que lhes contei não fizesse parte da cada um de vocês. Fica claro, como as distantes luzes que brilham nessa noite tão linda, que os desejos mais imperfeitos e inesperados, podem fazer de nós pessoas melhores.

Engraçado pensar que parece mais uma daquelas histórias de Happy End. Com príncipes e princesas, cavaleiros, cavalheiros, damas e dragões. Mas eu falo, que isso não existe... a não ser que você se permita a sonhar e reconhecer que a vida é cheia de altos e baixos, e que muitas vezes precisamos andar na contramão.

No fundo, mas bem no fundo mesmo... resumiria tudo isso em amor próprio e imperfeição. Nunca fui tão feliz em querer algo que não fosse ideal ou que me disparasse o coração. Só é feliz quem quer... o meu segredo é querer a Princesa Perfeição.

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